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Vol. 85. Núm. 4.
Páginas 494-501 (Julho - Agosto 2019)
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Vol. 85. Núm. 4.
Páginas 494-501 (Julho - Agosto 2019)
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DOI: 10.1016/j.bjorlp.2019.05.011
Open Access
Assessment of facial analysis measurements by golden proportion
Avaliação das medidas de análise facial pela proporção áurea
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Kerem Sami Kayaa,
Autor para correspondência
drkeremsamikaya@gmail.com

Autor para correspondência.
, Bilge Türka, Mahmut Cankayab, Nurullah Seyhuna, Berna Uslu Coşkuna
a Şişli Hamidiye Etfal Training and Research Hospital, Otolaryngology Department, Istambul, Turquia
b Dr. Burhan Nalbantoğlu State Hospital, Lefkoşa, Chipre
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Estatísticas
Figuras (4)
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Tabelas (8)
Tabela 1. Pontos anatômicos, medidas e proporções
Tabela 2. Valores médios das razões da análise facial
Tabela 3. Resultados da morfologia facial de acordo com as taxas de análises faciais
Tabela 4. Valores médios das razões de análise facial por sexo
Tabela 5. Resultados da morfologia facial por taxas de análise facial em ambos os sexos
Tabela 6. Diferença percentual das proporções da análise facial em comparação à proporção áurea
Tabela 7. Diferença percentual das proporções da análise facial em comparação à Proporção Áurea por sexo
Tabela 8. Comparação de medidas faciais em diferentes populações do mundo
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Abstract
Introduction

The face is the most important factor affecting the physical appearance of a person. In facial aesthetics, there is a specific mathematical proportion, which is called golden proportion, used to measure and analyse facial aesthetic qualities in population.

Objectives

The aim of this study was to measure the facial soft tissue proportions which would help to constitute a standard for facial beauty and diagnose facial differences and anomalies and to compare these proportions to the golden proportion.

Methods

One hundred and thirty‐three (133) Turkish patients 18–40 years of age (61 females, 72 males) were involved in the study. Analysis of the photographs was performed by the same physician, and a software programme was used (NIH Image, version 1.62). Facial proportions were measured and differences from the golden proportions were recorded and grouped as normal (1.6–1.699), short (<1.6) and long (>1.699).

Results

According to the facial analysis results, the trichion–gnathion/right zygoma–left zygoma was assessed: 33.1% of the patients were in normal facial morphology, 36.8% were in long facial morphology and 30.1% were in short facial morphology, according to this proportion. The trichion–gnathion/right zygoma–left zygoma proportion was significantly higher in males than females (p<0.001). Statistically significant difference was noted in gender groups, according to the trichion–gnathion/right zygoma–left zygoma and the right lateral canthus–left lateral canthus/right cheilion–left cheilion proportions (p=0.001, p=0.028).

Conclusion

Facial proportion assessments in relation to the golden proportion showed that a statistically significant difference was observed between gender groups. Long facial morphology was observed more in males (51.4%); normal (41%) and short (39.3%) facial morphology were more common in females. The measurements and proportions for facial balance in our study population showed that the facial width and height proportions deviated from the golden proportion.

Keywords:
Facial analysis
Golden proportion
Facial aesthetic
Resumo
Introdução

A face é o aspecto mais importante da aparência física de uma pessoa. Na estética facial, existe uma proporção matemática específica, chamada de proporção áurea. A proporção áurea é usada para medir e analisar as qualidades estéticas da face na população.

Objetivo

Medir as proporções dos tecidos moles faciais que contribuem para o padrão da beleza facial, auxiliar a percepção e o diagnóstico das diferenças e anomalias faciais e comparar essas proporções com a proporção áurea.

Método

Foram incluídos no estudo 133 pacientes turcos com 18 a 40 anos (61 mulheres, 72 homens). A análise das fotografias foi realizada pelo mesmo médico e um programa de software foi usado (NIH Image, versão 1.62). As proporções faciais foram medidas e as diferenças das proporções áureas foram registradas e agrupadas como normais (1,6–1,699), curtas (< 1,6) e longas (> 1,699).

Resultados

De acordo com os resultados da análise facial, avaliou‐se a proporção do tríquion‐gnátio/zigoma direito‐zigoma esquerdo e 33,1% dos pacientes apresentaram morfologia facial normal, enquanto 36,8% tinham morfologia facial longa e 30,1% morfologia facial curta, segundo essa proporção. A proporção do tríquion‐gnátio/zigoma direito‐zigoma esquerdo foi significantemente maior em homens do que em mulheres (p<0,001). Uma diferença estatisticamente significante foi observada entre os sexos, de acordo com a proporção do tríquion‐gnátio/zigoma direito‐zigoma esquerdo e do canto lateral direito‐canto lateral esquerdo/ângulo cantal direito‐ ângulo cantal esquerdo (p=0,001, p=0,028).

Conclusão

A avaliação da proporção facial em relação à proporção áurea mostrou que houve diferença estatisticamente significante entre os sexos. A morfologia facial longa foi mais observada no sexo masculino (51,4%), a morfologia facial normal (41%) e a curta (39,3%) foram mais comuns no sexo feminino. As medidas e proporções para o equilíbrio facial em nossa população estudada mostraram que as proporções de largura e altura faciais se desviaram da proporção áurea.

Palavras‐chave:
Análise facial
Proporção áurea
Estética facial
Texto Completo
Introdução

A face é o aspecto mais importante da aparência física de uma pessoa.1 Os fatores mais importantes da atratividade facial são a aparência mediana, o dimorfismo sexual, a juventude e a simetria.2 Além disso, o papel do sorriso na estética facial geral tem sido investigado na literatura.3,4

Na estética facial, existe uma proporção matemática específica, chamada de proporção áurea (PA).5 A PA é uma identidade comumente observada na natureza. No século 4 AC, Euclides descreveu a PA geometricamente, que divide uma linha em duas partes (a, b), e a proporção das duas partes (a/b) é igual à proporção do comprimento total para a parte mais longa (a+b/a) (fig. 1). Geometricamente descrito por Euclides, e também chamado de proporção de Fibonacci, ou “proporção divina”, o valor da PA é igual ao número irracional chamado “phi” (1,618), que leva o nome do escultor e criador do Partenon, Fídias.6,7 As aplicações clínicas da PA se encontram principalmente nos campos de prótese dentária, cirurgia estética, ortodontia e máscaras faciais. A PA é usada para avaliar a aparência estética da face no campo da cirurgia estética.8 Além disso, muitos autores têm usado a ferramenta PA para medir e analisar as qualidades estéticas faciais em seus próprios países.

Figura 1.

Cálculo da proporção áurea. A proporção áurea (PA) divide uma linha em duas partes (a, b) e a proporção das duas partes (a / b) é igual à proporção do comprimento total para a parte mais longa (a+b / a). O valor da PA é igual a 1,618.

(0,03MB).

O objetivo do presente estudo foi medir as proporções dos tecidos moles faciais, que ajudariam a perceber e diagnosticar as diferenças e anomalias faciais e comparar essas proporções com a PA em nossa população.

Método

Este estudo foi feito de janeiro de 2016 a janeiro de 2017 no Hospital de Treinamento e Pesquisa Sisli Hamidiye Etfal, em Istambul, com o número de aprovação do comitê de ética 1.186.

Foram incluídos no estudo 133 pacientes turcos de 18 a 40 anos (61 mulheres, 72 homens). Pacientes que apresentavam algum trauma facial prévio e cirurgia facial foram excluídos.

Todo rosto muda à medida que cresce e há muitas variações que consideram essas mudanças. Assim, incluímos pacientes entre 18 e 40 anos. Pacientes do sexo masculino foram solicitados a se barbear antes de ser fotografados, para garantir que a barba ou o bigode não afetassem as medidas.

O exame otorrinolaringológico de rotina foi feito em todos os pacientes. As fotografias foram tiradas no estúdio de nosso hospital por um fotógrafo profissional de um ponto de vista constante do paciente, com uma câmera Canon EOS 500D (1/60, f/5 70 mm) (fig. 2).

Figura 2.

Distâncias ao tirar uma foto. As fotografias foram tiradas de um ponto de vista constante a partir do paciente.

(0,03MB).

As fotografias apresentavam tamanho padrão (5 x 4 polegadas) e a análise foi feita por um único médico. Um programa de software foi usado para fazer as medições. Pontos anatômicos, medidas e proporções usadas na análise são demonstrados na tabela 1 e na figura 3.

Tabela 1.

Pontos anatômicos, medidas e proporções

Pontos  Medidas da altura facial  Medidas da largura facial  Proporções 
Tríquion (Tr)  Tr‐Gn  Zg‐Zg  Tr‐Sn/Sn‐Gn 
Cantal Lateral (CL)  Tr‐Sn  CLd (direito) – CLe (esquerdo)  Tr‐Gn/Zg‐Zg 
Zigoma (Zg)  Sn‐Gn  AOd (direito) – AOe (esquerdo)  CLd‐CLe/AOd‐AOe 
Subnasal (Sn)       
Ângulo oral (AO)       
Gnátio (Gn)       

Ângulo oral (AO), ponto no canto da boca; Cantal lateral (CL), ponto no canto lateral dos olhos; Gnátio (Gn), o ponto mais baixo no meio do tecido mole do queixo; Subnasal (Sn), ponto de intersecção entre o lábio superior e septo nasal; Tríquion (Tr), ponto de junção da parte superior da testa (linha dos cabelos); Zigoma (Zg), ponto lateral do arco zigomático.

Figura 3.

Medidas e proporções. Pontos anatômicos, medidas e proporções que são usados para análise facial.

(0,13MB).

Neste estudo, a altura e largura faciais fisionômicas foram medidas e o valor médio foi registrado para ambos os sexos. As diferenças percentuais em comparação com a proporção áurea foram calculadas através da fórmula “diferença percentual=|ΔV| / (ΣV/2)×100”. Os resultados foram avaliados e os pacientes foram agrupados de acordo com as morfologias faciais nos planos craniofaciais verticais e horizontais (1,6‐1,699=normal, <1,6=curto,>1,699=longo).

Análise estatística

O software SPSS foi usado para a análise estatística. As estatísticas definitivas para variáveis numéricas foram definidas como média, desvio‐padrão e IC95% mínimo e máximo; e para as variáveis categóricas, como números e porcentagem. Em dois grupos independentes, as variáveis numéricas foram analisadas pelo teste t de Student. O teste de qui‐quadrado foi usado para a comparação das proporções. A simulação de Monte Carlo foi usada quando os requisitos não foram fornecidos. O nível de significância estatística foi estabelecido como p <0,05.

Resultados

Medidas de altura (Tr‐Sn/Sn‐Gn) e largura faciais (CLd‐CLe/AOd‐AOe) mostraram que a maioria dos pacientes apresentava morfologia de face longa (tabela 2).

Tabela 2.

Valores médios das razões da análise facial

  Média±DP  IC95% 
Tr‐Gn/ ZgD‐ZgE  1,65±0,10  1,64‐1,67 
Tr‐Sn/ Sn‐Gn  1,83±0,18  1,80‐1,86 
CLD‐CLE/ AOD‐AOE  1,88±0,13  1,86‐1,90 

De acordo com as proporções da análise facial Tr‐Gn/Zgd‐Zge, as morfologias faciais eram 33,1% normais, 36,8% longas e 30,1% curtas. As proporções da análise facial Tr‐Sn/Sn‐Gn mostraram que 13,5% dos pacientes tinham morfologia normal, 75,2% tinham morfologia longa e 11,3% tinham morfologia curta. Em relação às proporções de análise facial CLd‐CLe/AOd‐AOe, essas revelaram que 6,8% dos pacientes apresentavam morfologia normal, 92,5% apresentavam morfologia longa e 0,8% apresentavam morfologia curta (tabela 3). As proporções de Tr‐Gn/Zgd‐Zge foram significantemente maiores no sexo masculino e as proporções de Tr‐Sn/Sn‐Gn foram significantemente menores (p <0,001, p=0,009). As proporções de Tr‐Gn/Zgd‐Zge foram significantemente maiores nos homens do que nas mulheres e as proporções de Tr‐Sn/Sn‐Gn foram significantemente menores no sexo masculino (p <0,001, p=0,009). Não houve diferença significante entre os sexos na análise das proporções CLd‐CLe/AOd‐AOe (p=0,075) (tabela 4).

Tabela 3.

Resultados da morfologia facial de acordo com as taxas de análises faciais

  Tr‐Gn/ Zgd‐ZgeTr‐Sn/ Sn‐GnCLd‐CLe/ AOd‐AOe
 
Normal (1,600–1,699)  44  33,1  18  13,5  6,8 
Longa (> 1,699)  49  36,8  100  75,2  123  92,5 
Curta (< 1,6)  40  30,1  15  11,3  0,8 
Tabela 4.

Valores médios das razões de análise facial por sexo

  MasculinoFemininop 
  Média±DP  IC 95%  Média±DP  IC 95%   
Tr‐Gn/ Zgd‐Zge  1,69±0,10  1,67‐1,71  1,61±0,09  1,59‐1,64  <0,001 
Tr‐Sn/ Sn‐Gn  1,79±0,17  1,75‐1,83  1,87±0,18  1,83‐1,92  0,009 
CLd‐CLe/ AOd‐AOe  1,86±0,13  1,83‐1,89  1,90±0,13  1,87‐1,94  0,075 

Uma diferença estatisticamente significante foi observada entre os sexos, de acordo com as proporções da análise facial Tr‐Gn/Zgd‐Zge e CLd‐CLe/AOd‐AOe (p=0,001, p=0,028). Nas proporções de análise facial Tr‐Gn/Zgd‐Zge, os homens tenderam a ter uma morfologia facial mais longa, enquanto que nas proporções CLd‐CLe/AOd‐AOe as mulheres tenderam a ter morfologia facial mais longa (tabela 5).

Tabela 5.

Resultados da morfologia facial por taxas de análise facial em ambos os sexos

    MasculinoFemininop 
     
Tr‐Gn/ Zgd‐Zge  Normal (1,600–1,699)  19  26,4  25  41,0  0,001 
  Long (> 1,699)  37  51,4  12  19,7   
  Short (< 1,6)  16  22,2  24  39,3   
Tr‐Sn/ Sn‐Gn  Normal (1,600–1,699)  15,3  11,5  0,195 
  Long (> 1,699)  50  69,4  50  82,0   
  Short (< 1,6)  11  15,3  6,6   
CLd‐CLe/ AOd‐AOe  Normal (1,600–1,699)  11,1  1,6  0,028 
  Longa (> 1,699)  64  88,9  59  96,7   
  Curta (< 1,6)  0,0  1,6   

As diferenças percentuais das proporções da análise facial em comparação com a PA (1,618) são apresentadas na tabela 6.

Tabela 6.

Diferença percentual das proporções da análise facial em comparação à proporção áurea

  Diferença percentual em comparação à Proporção Áurea
  Média±DP (%)  IC95% 
Tr‐Gn/ Zgd‐Zge  2,0±6,4  0,9–3,0 
Tr‐Sn/ Sn‐Gn  11,8±9,9  10,1–13,5 
CLd‐CLe/ AOd‐AOe  14,8±6,9  13,6–16,0 

A diferença percentual das proporções da análise facial Tr‐Gn/Zgd‐Zge em comparação com a PA foi significantemente maior no sexo masculino do que no feminino, enquanto a diferença de proporção Tr‐Sn/Sn‐Gn em comparação com a PA foi significantemente menor no sexo masculino (p <0,001, p=0,010). A diferença percentual das proporções da análise facial CLd‐CLe/AOd‐AOe em comparação com a PA não foi significantemente diferente entre os sexos (p=0,075) (tabela 7).

Tabela 7.

Diferença percentual das proporções da análise facial em comparação à Proporção Áurea por sexo

  MasculinoFeminino 
  Média±DP  IC95%  Média±DP  IC95%  p 
Tr‐Gn/ Zgd‐Zge  4,1±6,0  2,7–5,5  ‐0,6±6,0  ‐2,1–1,0  <0,001 
Tr‐Sn/ Sn‐Gn  9,8±9,7  7,5–12,1  14,2±9,6  11,8–16,7  0,010 
CLd‐CLe/ AOd‐AOe  13,8±7,0  12,1–15,4  16,0±6,6  14,3–17,6  0,075 
Discussão

O conceito de estética tem mudado ao longo do tempo, por isso é difícil definir beleza e estética. Atratividade é uma entidade subjetiva, a qual é influenciada pela idade, gênero, etnia e nível educacional de uma pessoa.9

A definição de beleza tem uma longa história desde a antiga civilização egípcia. Euclides, Pitágoras, Vitrúvio e Leonardo Da Vinci tentaram definir a beleza com algoritmos matemáticos. Esses algoritmos desempenharam um papel significativo na definição de beleza e atratividade facial. A PA é um exemplo bem conhecido desses algoritmos.6,7,9

Existem muitos estudos na literatura sobre a associação entre PA e percepção estética. Segher et al. descreveu primeiro o uso da PA na cirurgia estética facial.10 Rickets foi o primeiro ortodontista que usou a PA para analisar a composição dos tecidos moles e duros da face.8 Marquardt usou a PA para desenvolver uma máscara facial para definir o equilíbrio estrutural do rosto.11

Adicionalmente, a aplicação da PA mostrou resultados diferentes em vários estudos. Kawakami et al.12 Filho et al.,13 Mizumoto et al.8 e Sunilkumar et al.14 relataram que existe uma relação entre a “proporção divina” e a estética facial. Kiekens et al. relataram que as proporções de rostos atraentes estão mais próximas da PA.7 Entretanto, Rossetti et al.15 mostraram que não havia correlação entre a percepção da beleza facial e a “proporção divina”.

A face é dividida em três partes no plano horizontal. A parte superior está entre o tríquion e a glabela, a parte média está entre a glabela e o subnasal e a parte inferior está entre o subnasal e o queixo (fig. 4). De maneira ideal, essas três partes devem ser iguais, mas em geral essas partes não são iguais. Estudos sobre proporções de altura facial relataram que há 50% de igualdade.1

Figura 4.

Proporções de altura e largura da face. A face é dividida em cinco partes iguais no plano vertical e três partes iguais no plano horizontal.

(0,14MB).

A altura facial é maior nos homens do que nas mulheres em todas as etnias. No entanto, Farkas et al. Fizeram um estudo na população da Índia e as mulheres mostraram maior altura facial.16 Em um estudo de Packiriswamy et al., 229 de 300 indivíduos da Malásia tinham morfologia facial curta.10

Em nosso estudo, os resultados da análise facial mostraram que a frequência da morfologia facial longa foi significantemente maior (tabela 3). De acordo com as proporções da análise facial Tr‐Sn/Sn‐Gn, a diferença percentual em comparação com a PA foi significantemente menor no sexo masculino do que no feminino (p=0,010, IC 95% 7,5±12,1) (tabela 7).

A face é dividida em cinco partes no plano vertical. A largura de cada um dos olhos é uma parte, cada uma das duas distâncias intercantais e a largura nasal compreendem uma parte cada (fig. 4). A largura dos lábios deve ser de 40% da face inferior e deve ser igual à distância entre os sulcos mediais. Estudos anteriores relataram que, nas populações branca e asiática, há diferenças nessas proporções, pois a largura dos olhos e do nariz foi maior ou menor do que a distância intercantal.1

De acordo com os resultados da análise facial, observou‐se morfologia facial ampla mais frequentemente do que a morfologia facial longa (tabela 3). De acordo com a proporção CLd‐CLe/AOd‐AOe, a diferença percentual em comparação com a PA não foi significantemente diferente entre os sexos (tabela 7).

Farkas et al. relataram que americanos, negros, brancos, malaios, indianos, árabes e chineses têm características faciais diferentes, influenciadas por etnia. Na tabela 8, as características faciais foram resumidas, inclusive altura facial e largura facial em diferentes etnias.16,21 Farkas et al. também relataram que os homens tinham morfologia facial mais longa do que as mulheres na população turca. Em nosso estudo, de acordo com o Tr‐Gn/Zgd‐Zge, os homens apresentaram morfologia facial mais longa, o que foi consistente com os dados relatados anteriormente (tabela 3). De acordo com as proporções de Tr‐Gn/Zgd‐Zge, as diferenças percentuais da PA foram significantemente maiores no sexo masculino do que no feminino (p <0,001, IC95%: 2,7‐ 5,5) (tabela 7).

Tabela 8.

Comparação de medidas faciais em diferentes populações do mundo

            Altura da faceLargura da face
Autor  Ano  População  Método 
Farkas et al.16200530  30  América do Norte  Paquímetro187,5±16,2  172,5±15,0  137,1±8,6  129,9±10,6 
30  30  Azerbaijão  185,1±18,0  175,4±13,6  147,5±10,8  138,7±10,4 
30  30  Bulgária  184,3±17,4  170,5±13,6  139,5±11,2  130,9±8,8 
30  30  República Tcheca  181,7±15,8  182,9±16,2  134,9±26,6  126,4±28,8 
30  30  Croácia  180,1±21,2  172,6±17,4  140,7±12,0  133,2±13,6 
30  30  Alemanha  182,2±22,2  170,9±14,4  133,2±15,0  123,4±18,4 
30  30  Grécia  178,7±25,8  173,8±13,8  128,6±22,8  132,2±9,6 
30  30  Hungria  181,3±28,4  169,4±15,4  142,1±10,6  131,3±7,0 
30  30  Itália  186,0±21,2  171,4±18,4  143,2±11,8  133,3±8,2 
30  30  Polônia  181,9±16,4  172,1±17,8  142,6±9,4  135,5±11,0 
30  30  Portugal  190,7±14,2  177,4±19,0  125,1±10,8  120,4±10,8 
30  30  Rússia  184,4±16,2  174,4±17,4  141,2±8,8  132,3±9,6 
30  30  Eslováquia  183,7±17,6  169,7±17,5  134,7±11,0  125,0±11,4 
30  30  Eslovênia  181,3±20,6  170,4±30,2  136,2±11,6  129,5±10,4 
30  30  Irã  180,3±20,4  175,9±15,0  138,4±11,4  131,7±13,4 
30  30  Turquia  186,5±12,8  179,2±18,8  140,4±16,4  134,5±8,6 
30  30  Egito  176,9±26,8  161,4±17,8  139,8±13,8  130,3±10,4 
30  30  Índia  161,3±4,6  163,0±16,6  135,8±8,6  124,9±16,9 
30  30  Singapura Chinesa  187,3±14,4  176,2±16,6  144,6±11,2  136,2±8,0 
30  30  Vietnã  180,9±16,6  171,1±14,2  144,0±8,8  134,3±5,8 
30  30  Tailândia  185,1±15,4  172,8±17,4  147,1±11,0  138,3±12,6 
30  30  Japão  191,4±16,6  182,8±14,4  147,2±11,2  141,2±11,8 
30  30  Angola  182,6±18,2  172,4±17,8  139,8±10,2  132,8±8,4 
30  30  Tonga  161,8±17,0  –  133,3±2,6  – 
30  30  África do Sul Zulu  209,2±20,6  179,1±19,8  138,5±9,2  128,4±9,6 
30  30  Afro‐Americana  194,6±21,2  180,1±15,0  138,7±11,2  130,5±9,6 
Erika et al.16  2005  39  38  Letônia  Paquímetro  187,3  177,0  133,1  122,4 
Omar et al.17  2005  –  102  Indiana Americana  Fotografia  –  169,4±13,3  –  125,9±10,1 
Ngeow et al.18  2009  50  50  Malásia  Paquímetro  –  –  132,5±7,0  140,1±4,9 
Ngeow et al.19  2009  50  50  Malásia Indiana  Paquímetro  –  –  136,3±4,8  126,7±3,9 
Raji et al.16  2010  200  143  Nordeste da Nigéria  Paquímetro  –  –  115,1  111,3 
Jeremic et al.16  2013  360  340  Sérvia  Paquímetro  –  –  129,1±8,9  120,0±6,4 
Kumar et al.16  2013  300  300  Haryanvi Bania Indiana  Paquímetro  –  –  130,8±7,3  123,5±7,6 
Milutinovic et al.20  2014  –  83  Caucasiana  Fotografia  –  –  141,7±18,8  – 
Packiri‐swamy et al.10201250  50  Malásia Chinesa  Paquímetro192,1±9,6  186,6±9,9  140,1±7,4  135,2±10,8 
50  50  Malásia Indiana  182,5±11,0  172,7±10,9  130,3±8,9  124,0±6,6 
50  50  Malásia  189,1±8,4  179,2±7,8  131,3±8,7  134,0±10,2 
Alam MK et al.21201450  50  Malásia Chinesa  Paquímetro188,4±14,0  172,6±22,5  117,1±11,5  115,2±13,4 
36  50  Malásia Indiana  178,3±13,2  168,3±13,5  112,7±9,6  107,8±13,8 
50  50  Malásia  179,1±15,3  161,8    114,8±10,1 

Packiriswamy et al. conduziram um estudo em 300 pessoas e relataram que a diferença percentual das proporções da análise facial Tr‐Gn/Zgd‐Zge em relação à PA mostrou que 229 pessoas tinham morfologia facial curta e 23 pessoas tinham morfologia facial longa.10 Em nosso estudo, os homens apresentaram morfologia facial longa (51,4%), enquanto as mulheres apresentaram morfologia facial normal (41%) e curta (39,3%) (tabela 5).

Na literatura, muitos autores relatam que a beleza é afetada por vários fatores, inclusive os genéticos, culturais e ambientais. A beleza facial pode ser avaliada literalmente através de parâmetros globais como as leis neoclássicas e a PA e faces com características diferentes podem ser denominadas atraentes em diferentes culturas e grupos étnicos. No entanto, essas proporções não são os únicos fatores que afetam a atratividade facial.

Conclusão

Em nosso estudo, as morfologias faciais foram significantemente diferentes entre os sexos. As morfologias faciais tanto da população masculina quanto feminina mostraram predominância de faces mais curtas e longas: no sexo masculino totalizaram 73,6%, face curta (22,2%) e face longa (51,4%); no sexo feminino, totalizaram 59%, face curta (39,3%) e face longa (19,7%).

As medidas e proporções para a estética facial na população estudada mostraram que as proporções largura e altura facial se desviaram da proporção áurea. Mais estudos são necessários para avaliar a população em geral.

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

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Como citar este artigo: Kaya KS, Türk B, Cankaya M, Seyhun N, Coşkun BU. Assessment of facial analysis measurements by golden proportion. Braz J Otorhinolaryngol. 2019;85:494–501.

Este estudo foi realizado no Hospital de Treinamento e Pesquisa Sisli Hamidiye Etfal, em Istambul.

A revisão por pares é da responsabilidade da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico‐Facial.

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