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Vol. 87. Núm. 2.
Páginas 217-226 (Março - Abril 2021)
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Vol. 87. Núm. 2.
Páginas 217-226 (Março - Abril 2021)
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DOI: 10.1016/j.bjorlp.2021.01.007
Open Access
Implicações da prática musical no processamento auditivo central: uma revisão sistemática
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Cinthya Heloisa Braza, Laura Faustino Gonçalvesa, Karina Mary de Paivaa, Patricia Haasa, Fernanda Soares Aurélio Patattb,
Autor para correspondência
fernandaurelio@yahoo.com.br

Autor para correspondência.
a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Curso de Fonoaudiologia, Florianópolis, SC, Brasil
b Universidade de Brasília (UnB), Ciências da Saúde, Brasília, DF, Brasil
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Texto Completo
Bibliografia
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Estatísticas
Figuras (1)
Tabelas (4)
Tabela 1. Descrição dos componentes do PICOS
Tabela 2. Síntese dos critérios de inclusão/exclusão
Tabela 3. Classificação das referências obtidas nas bases de dados Pubmed, Scielo, Lilacs, Web of Science e Scopus
Tabela 4. Resultado dos estudos selecionados
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Resumo
Introdução

Estudos recentes evidenciaram que a prática e o treinamento musical mostram‐se eficazes e com potencialidades para auxiliar na aquisição e no aprimoramento das habilidades auditivas.

Objetivo

Verificar as evidências científicas sobre as implicações da prática musical no processamento auditivo central.

Método

Foi feita uma revisão sistemática conduzida conforme as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta‐Analyses (PRISMA) e foram usadas as bases de dados Medline (Pubmed), Lilacs, SciELO, Bireme, Scopus, Web of Science. O período de busca dos artigos compreendeu os últimos 5 anos (2015 a 2020), sem restrição de idioma e localização. Foi feita avaliação da qualidade dos artigos, na qual se incluía artigos com nota mínima 6 em escala de qualidade modificada da literatura.

Resultados

Inicialmente foram encontradas 1.362 publicações, das quais 1.338 foram excluídas na triagem do título, 15 excluídas pelo resumo, foram nove artigos analisados na íntegra e quatro deles excluídos após análise, pois não responderam à pergunta norteadora proposta para esta pesquisa. Foram admitidos para esta pesquisa cinco artigos que atendiam os critérios de inclusão propostos. Constatou‐se que nos adultos a habilidade musical está associada ao melhor desempenho de várias habilidades do processamento auditivo, bem como o treinamento musical em crianças promoveu uma maturidade acelerada do processamento auditivo e a exposição à música facilitou o aprendizado das informações auditivas nos recém‐nascidos.

Conclusão

Considerando as evidências científicas, constatou‐se que a experiência musical pode aprimorar habilidades específicas do processamento auditivo central, independentemente da idade, o que aprimora o desenvolvimento linguístico das crianças.

Palavras‐chave:
Música
Audição
Vias auditivas
Percepção auditiva
Potenciais evocados auditivos
Texto Completo
Introdução

Segundo Bréscia,1 as primeiras civilizações usavam a música em todos os seus rituais, como no nascimento e na morte. A música estimula o estado físico, emocional, cognitivo e social das pessoas. Exames de imagem demonstram atividade em partes do cérebro, em áreas associadas a audição e emoções, quando entram em contato com a música,2 e quando se toca um instrumento musical, são criadas conexões neurais, que ligam os dois hemisférios cerebrais, que começam a atuar em conjunto.3

O processamento auditivo central (PAC) refere‐se a uma série de processos envolvidos na detecção e na reação aos sons recebidos e envolve predominantemente as estruturas do sistema nervoso central (SNC).4 Porém, para que a decodificação ocorra de forma correta é necessário que as habilidades auditivas estejam íntegras e eficazes.5 Observa‐se que alterações nesse sistema podem levar a dificuldades de aprendizagem, de entendimento e atraso na linguagem.6

O PAC conta com habilidades de reconhecimento e localização sonora, compartilhamento de atenção entre dois estímulos, seleção de um estímulo auditivo na presença de ruído de fundo, diferenciação da variação de frequência, intensidade e duração do som, além de perceber diferenças e semelhanças entre sons verbais.7 A prática musical é considerada uma ótima forma de estimular essas habilidades,8 torna‐se uma aliada no tratamento e na prevenção de alguns distúrbios.9,10

A integridade do processamento auditivo é um pré‐requisito para o desenvolvimento das habilidades linguísticas. Relata‐se que a experiência musical interfere positivamente no desenvolvimento global infantil, bem como nas habilidades metalinguísticas.10,11 Destaca‐se a experiência musical que poderá promover o aprimoramento das habilidades do processamento auditivo e da consciência fonológica em crianças de 5 anos.12

Pesquisas sugerem uma plasticidade cerebral induzida pela prática da música e, portanto, uma diferença funcional e estrutural nas áreas auditivas cerebrais de músicos quando comparadas às de não músicos,13–16 pode indicar um processamento mais rápido dos estímulos auditivos, denotado, por exemplo, pela latência diminuída e amplitude maior do P3 na referida população.17

Estudos recentes evidenciaram que a prática e o treinamento musical aprimoram as habilidades de processamento auditivo,7,18 mostram‐se eficazes e com potencialidades para serem usados em crianças a fim de auxiliar na aquisição das habilidades auditivas, bem como para aprimorá‐las.7

A partir do exposto, a presente pesquisa apresenta como objetivo principal e norteador verificar as evidências científicas sobre as implicações da prática musical no processamento auditivo central, com vistas a responder à seguinte pergunta de pesquisa: “Quais as implicações da prática musical no processamento auditivo central?”

MétodoProtocolo e registro

A presente revisão sistemática foi conduzida conforme as recomendações PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta‐Analyses).19

As buscas por artigos científicos foram conduzidas por dois pesquisadores independentes nas bases de dados eletrônicas Medline (Pubmed), Lilacs, SciELO, Scopus, Web of Science e Bireme, sem restrição de idioma, período e localização. A pesquisa foi estruturada e organizada na forma PICOS, que representa um acrônimo para população alvo, intervenção, comparação, outcomes (desfechos) e study type (tipo de estudo). População de interesse ou problema de saúde (P) corresponde a pacientes; intervenção (I) diz respeito à música; comparação (C) corresponde à exposição à prática musical; outcomes (O) refere‐se ao PAC; e os tipos de estudos admitidos (S) foram estudo descritivo, estudo transversal, estudo observacional, relatos de caso, estudos de caso‐controle, ensaios clínicos controlados e estudos de coorte (tabela 1).

Tabela 1.

Descrição dos componentes do PICOS

Acrônimo  Definição 
Pacientes 
Música 
Prática Musical 
PAC 
SEstudo descritivo 
Estudo transversal 
Estudo observacional 
Relatos de caso 
Estudos de caso‐controle 
Ensaios clínicos controlados 
Estudos de coorte 

Fonte: Desenvolvido pelos autores.

PAC, Processamento auditivo central.

Estratégia de pesquisa

Os descritores foram selecionados a partir do dicionário em ciências da saúde (DeCS) e Medical Subject Heading Terms (MeSH), considerou‐se seu grande uso pela comunidade científica para a indexação de artigos na base de dados PubMed. Diante da busca dos descritores, foi feita a adequação para as outras bases usadas. Em um primeiro momento foi proposta para as buscas a seguinte combinação de descritores: (music) and (auditory processing) and (central nervous system). A busca ocorreu de forma concentrada em julho de 2020.

Critérios de elegibilidade

Os desenhos dos estudos admitidos inicialmente foram dos tipos descritivo, transversal, observacional, de caso‐controle, de coorte, relatos de caso e ensaios clínicos controlados. Foram incluídos estudos sem restrição de idioma, período e localização. A tabela 2 representa os critérios de inclusão e exclusão desenvolvidos nesta pesquisa. Os estudos obtiveram pontuação maior do que 6 no protocolo modificado de Pithon et al.20 para avaliação da qualidade.

Tabela 2.

Síntese dos critérios de inclusão/exclusão

Critérios de Inclusão
DelineamentoRelatos de casos 
Estudos de casos e controle 
Ensaios clínicos controlados 
Estudos de coorte 
Estudos em triage 
Estudos observacionais 
Localização  Sem restrição 
Idioma  Sem restrição 
Período  Janeiro de 2015 a Junho de 2020 
Critérios de Exclusão
DelineamentoRevisões de literature 
Revisões sistemáticas 
Metanálises 
Estudos de caso 
Estudos de preferência 
EstudosEstudos pouco claros 
Mal descritos ou inadequados 
Forma de publicação  Apenas resumo 

Fonte: Desenvolvido pelos autores.

Risco de viés

A qualidade dos métodos usados nos estudos incluídos foi avaliada pelos revisores de forma independente (PH, CHB e LFG), de acordo com a recomendação PRISMA.19 A avaliação priorizou a descrição clara das informações. Neste ponto, a revisão foi feita às cegas, mascarou os nomes dos autores e revistas, evitaram‐se quaisquer vieses potenciais e conflitos de interesse.

Critérios de exclusão

Foram excluídos estudos publicados no formato de cartas ao editor, diretrizes, revisões de literatura, revisões narrativas, revisões sistemáticas, metanálises e resumos. E estudos que não tivesse descrição ou que foram pouco claros ou, ainda, indisponíveis na íntegra, representados na tabela 2.

Análise dos dados

A extração dos dados para o processo de elegibilidade dos estudos foi feita com uma ficha própria para revisão sistemática elaborada por dois pesquisadores em Programa Excel®, na qual os dados extraídos foram adicionados inicialmente por um dos pesquisadores e, então, conferidos por outro pesquisador. Primeiramente foram selecionados de acordo com o título; em seguida, os resumos foram analisados e apenas os que fossem potencialmente elegíveis foram selecionados. Com base nos resumos, os artigos foram selecionados para leitura integral, foram admitidos os que atendiam a todos os critérios pré‐determinados. Em caso de desacordo entre avaliadores, um terceiro avaliador tomou a decisão sobre a elegibilidade do estudo em questão.

Forma de seleção dos estudos

Inicialmente os revisores de elegibilidade (CHB e LFG) foram calibrados para a revisão sistemática por FSAP, KMP e PH. Após a calibração e esclarecimentos de dúvidas, os títulos e resumos foram examinados por dois revisores de elegibilidade (CHB e LFG), de forma independente, os quais não estavam cegos para o nome dos autores e das revistas. Aqueles que apresentaram um título dentro do âmbito, mas os resumos não estavam disponíveis, também foram obtidos e analisados na íntegra.

Posteriormente, os estudos elegíveis preliminarmente tiveram o texto completo obtido e avaliado. Em casos específicos, quando o estudo com potencial de elegibilidade apresentasse dados incompletos, os autores foram contatados por e‐mail para mais informações. Na inexistência de acordo entre os revisores, um terceiro (PH) foi envolvido para a decisão final.

Dados coletados

Após a triagem, os textos dos artigos selecionados foram revisados e extraídos de forma

padronizada por dois autores (CHB e LFG) sob a supervisão de KMP, FSAP e PH, identificaram‐se ano de publicação, local da pesquisa, idioma de publicação, tipo de estudo, amostra, método, resultado e conclusão.

Resultado clínico

O resultado clínico de interesse consistiu em analisar o efeito da música no processamento auditivo. Aqueles que não usaram a abordagem do efeito da música no processamento auditivo não fizeram parte da amostra da revisão de literatura.

Resultados

A partir dos descritores eleitos, os bancos de dados foram consultados e foram obtidos os resultados que estão na tabela 3.

Tabela 3.

Classificação das referências obtidas nas bases de dados Pubmed, Scielo, Lilacs, Web of Science e Scopus

Descritores  N°  Referênciasexcluídas  Motivo  Selecionado  Banco de dados 
(music) and (auditory processing) and (central nervous system)  293  290  Excluídos por título (282); excluídos por abstracts (8)  Pubmed 
(music) and (auditory processing) and (central nervous system)  –  –  –  LILACS 
(music) and (auditory processing) and (central nervous system)  Excluídos por título (1)  SciELO 
(music) and (auditory processing) and (central nervous system)  443  442  Excluídos por título (440); excluídos por abstract (2);  Web of Science 
(music) and (auditory processing) and (central nervous system)  10  10  Não responderam aos critérios de inclusão (4);excluídos por título (5)  BIREME 
(music) and (auditory processing) and (central nervous system)  615  615  Excluídos por abstract (5); excluídos por título (610)  Scopus 
Total  1362  1357     

Fonte: Desenvolvido pelos autores.

Inicialmente foram encontradas 1.362 publicações, das quais, 1.338 foram excluídas na triagem do título, 15 excluídas pelo resumo, sendo nove artigos analisados na íntegra e quatro deles excluídos após análise, pois não responderam aos critérios de inclusão propostos para esta pesquisa. Assim, foram admitidos para este estudo cinco publicações (fig. 1).

Figura 1.

Fluxograma do processo de busca e análise dos artigos.

Fonte: Desenvolvido pelos autores.

(0,24MB).

Os desenhos dos estudos admitidos são do tipo transversal e longitudinal, todos com pontuação 11 no protocolo modificado de Pithon et al.,20 que avalia criteriosamente a qualidade das publicações. Os dados extraídos dos estudos foram feitos de forma descritiva e comparativa.

Com relação à descrição dos resultados dos artigos elegíveis neste estudo, as informações foram apresentadas em formato detalhado. Os potenciais analisados nas avaliações, os estímulos usados e outras informações encontram‐se expostos na tabela 4.

Tabela 4.

Resultado dos estudos selecionados

Autor/ Ano/ Local de realização/ Tipo de estudo  Objetivo  Potencial(is) analisado(s)  Estímulo(s) usado(s)  Resultados  Conclusão 
Fabhauer et al.,21 2015TransversalAlemanha  Verificar a relação entre a capacidade musical e o processamento cognitivo de curto prazo, medido pelos potenciais relacionados ao evento.  P1, N1, P2, N2, P3  Não especificado  O achado mais importante foi que existe uma correlação linear significativa entre a habilidade musical como medido por esses testes e as latências P3 dos potenciais relacionados a eventos auditivos e visuais.Além disso, os músicos mostraram latências mais curtas dos potenciais relacionados ao evento do que os não músicos.  A habilidade musical, medida pelos testes neuropsicológicos, está associada à melhoria do processamento cognitivo de curto prazo, tanto no domínio auditivo quanto, surpreendentemente, também no visual. 
Brown et al.,22 2017TransversalEstados Unidos  Determinar se o complexo de alteração acústica (ACC) é sensível o suficiente para refletir as diferenças no processamento espectral exibidas por músicos e não‐músicos.  ACC  fala no ruído; sequência de quatro notas de seis instrumentos musicais; série de três notas simuladas de um clarinete, geradas digitalmente; ruído de ondulação.  Os músicos foram capazes de detectar mudanças menores no tom do que os não‐músicos. Eles também foram capazes de detectar uma mudança na posição dos picos e vales em um estímulo de ruído de ondulação em densidades de ondulação mais altas do que os não músicos. As respostas do ACC gravadas por músicos foram maiores do que as registradas por não músicos quando a amplitude da resposta do ACC foi normalizada para a amplitude da resposta inicial em cada par de estímulos. Os limiares de detecção visual derivados dos dados potenciais evocados foram melhores para músicos do que para não músicos, independentemente de a tarefa ser discriminação de afinação musical ou detecção de uma alteração no espectro de frequências dos estímulos de ruído de ondulação. Medidas comportamentais de discriminação foram geralmente mais sensíveis que medidas eletrofisiológicas. Contudo, as duas métricas foram correlacionadas.  Os músicos são mais capazes de discriminar sinais acústicos espectralmente complexos do que os não músicos. Essas diferenças são evidentes não apenas nos testes perceptivos/ comportamentais, mas também nas medidas eletrofisiológicas da resposta neural no nível do córtex auditivo. Embora esses resultados sejam baseados em observações feitas por ouvintes com audição normal, eles sugerem que o ACC pode fornecer um método não‐comportamental de avaliar a discriminação auditiva e, como resultado, pode ser útil em estudos futuros que exploram a eficácia da participação em um ambiente musical, programa de treinamento auditivo, talvez voltado para ouvintes pediátricos ou com deficiência auditiva. 
Meha‐Bettison et al.,23 2018TransversalEstados Unidos  Investigar se os músicos profissionais superaram os não músicos no processamento auditivo e na percepção do ruído da fala  P1, N1 e P2  Sílaba /da/  Os músicos superaram significativamente os não músicos na tarefa de discriminação de frequência e na percepção de fala no ruído (voz alvo e voz competitiva iguais a 0°). A amplitude de N1 dos músicos não mostrou diferença entre as condições de 5dB e 0dB, enquanto os não músicos mostraram uma amplitude de N1 significativamente menor em 0dB em comparação com 5dB. A análise tempo‐frequência indicou que os músicos tinham dessincronização de potência alfa significativamente mais alta na condição de 0dB, indicando envolvimento da atenção.  Com o uso de dados comportamentais e eletrofisiológicos, os resultados fornecem evidências convergentes para o melhor reconhecimento de fala no ruído em músicos. 
Suppanen et al.,24 2019TransversalFinlândia  Verificar se a música e o ritmo podem facilitar o aprendizado das informações auditivas em recém‐nascidos.  Não especificado  Versão finlandesa de uma conhecida canção de ninar em três condições diferentes (canção de ninar, música, fala)  Foram encontradas respostas cerebrais estatisticamente significantes em recém‐nascidos quando foram apresentadas alterações de sílabas e palavras na canção de ninar, porém mudanças inseridas na música e na fala não provocaram respostas corticais diferentes. A estrutura rítmica das rimas infantis pode facilitar o aprendizado dos recém‐nascidos com informações auditivas.  Rimas infantis podem facilitar o aprendizado dos recém‐nascidos com informações auditivas e, portanto, pode ser benéfico para o desenvolvimento da linguagem. 
Habibi et al.,25 2016LongitudinalEstados Unidos  Investigar os efeitos de um programa de treinamento em música no desenvolvimento auditivo de crianças, ao longo de 2 anos, a partir dos 6–7 anos de idade.  P1, N1, P2, N2, P3  Tom puro, piano e violino, combinados em frequência fundamental com os tons musicais.  Antes de participar, as crianças que iniciaram treinamento em música não diferiram daquelas dos grupos de controle em relação às medidas cognitivas, motoras, musicais ou cerebrais. Após 2 anos, foi observado que as crianças do grupo de música, mostram uma capacidade aprimorada de detectar alterações no ambiente tonal e uma maturidade acelerada do processamento auditivo, medida pelos potenciais evocados auditivos corticais.  O treinamento musical pode resultar em alterações cerebrais específicas dos estímulos em crianças em idade escolar. 

Fonte: Fabhauer et al., 2015; Brown et al., 2017; Habibi et al., 2016; Meha‐Bettison et al., 2018; Suppanen et al., 2019.

ACC, Complexo de alteração acústica.

Em três estudos admitidos, a amostra foi composta por 20 indivíduos adultos, divididos em grupos de músicos e não músicos.21–23 Com relação à idade dos participantes, em um deles houve variação de 22 a 59 anos;23 em outros dois, a idade média dos músicos foi de 23 anos (DP=2)21 e 42,2 anos (DP=16,04)22 e dos não músicos foi de 24 anos (DP=2)21 e 38,4 anos (DP=12,03).22 Os outros dois estudos selecionados nesta pesquisa foram feitos com recém‐nascidos (n=21)24 e com crianças entre 6 e 7 anos (n=7).25

Enquanto os estudos feitos com adultos21–23 avaliaram o funcionamento do sistema nervoso auditivo central de músicos e não músicos, tendo em vista que os músicos já deveriam ter histórico de exposição prolongada à música, os estudos com crianças25 e recém‐nascidos24 submeteram esses sujeitos a diferentes estímulos sonoros, a fim de verificar os efeitos dessa exposição na via auditiva.

O tempo médio de exposição à prática musical em um dos estudos feitos com adultos foi de 14 anos (DP=2 anos);21 no outro, esse tempo variou de 16 a 54 anos; 80% dos músicos tinham 40 anos ou mais de exposição, todos por no mínimo 15 horas semanais;23 e, em um deles, o tempo de exposição dos músicos não foi apresentado, embora tenham levado esse fator em consideração ao quantificar os antecedentes e a experiência musical por meio de um questionário (Iowa Musical Background Questionnaire – IMBQ).22

No estudo de Habibi et al.25 as crianças do grupo exposto ao treinamento musical (n=13), por um período de 6 a 7 horas semanais no decorrer de dois anos, foram comparadas com outros dois grupos de crianças com o mesmo contexto socioeconômico, um deles envolvido em treinamento esportivo (n=11) e outro sem envolvimento com treinamentos sistemáticos (n=13).

Na pesquisa de Suppanen et al.,24 recém‐nascidos foram submetidos a uma versão finlandesa de uma conhecida canção de ninar, gravada por uma falante nativa do idioma, em três condições diferentes, usaram‐se dois versos distintos em cada condição: uma versão lida como uma canção de ninar, falada metricamente; uma versão cantada em uma determinada melodia; e uma versão lida em forma de discurso comum. Nas três condições foram registrados os potenciais relacionados a eventos auditivos dos recém‐nascidos. Em seguida, foi investigado o efeito do aprendizado, introduziram‐se mudanças pouco frequentes de vogal, palavra, afinação e intensidade nos trechos da fala e registraram‐se as respostas neurais a eles.

As metodologias usadas pelos autores para avaliar o funcionamento da via auditiva central foram diversas, incluíram avaliações comportamentais/psicoacústicas22,23,25 e eletrofisiológicas.21,23,25 Entre os exames comportamentais usados constataram‐se testes de compreensão de fala no ruído, discriminação de pitch,22,23 reconhecimento do timbre (tarefa em conjunto fechado),22 discriminação de tons/ritmos,25 além dos testes Gaps‐In‐Noise (GIN) e Modulação de Amplitude Sinusoidal (SAM).23 Os exames eletrofisiológicos, usados nos cinco estudos selecionados,21–25 dizem respeito ao registro de Potenciais Relacionados a Eventos (PRE) ou potenciais cognitivos, que são amplamente usados para avaliar o desenvolvimento do sistema auditivo central e permitem a identificação de etapas do processo sensorial e cognitivo em resposta a estímulos auditivos. Os potenciais analisados, bem como os estímulos usados, encontram‐se expostos na tabela 4.

Quanto aos resultados obtidos nos estudos admitidos desenvolvidos com adultos, evidenciou‐se correlação significativa entre a habilidade musical e as latências de P3, as latências obtidas em músicos foram menores do que as registradas em não músicos,21 além de as amplitudes das respostas corticais serem maiores.22 Os músicos demonstraram ser capazes de detectar mudanças menores no tom quando comparados aos não músicos.22 Além disso, os músicos comprovaram ter mais capacidade de discriminar sinais acústicos espectralmente complexos do que os não músicos.22 Um dos estudos constatou ainda que os músicos demonstraram melhor reconhecimento de fala no ruído (voz alvo e voz competitiva iguais, incididas a 0°), além de superar significativamente os não músicos na tarefa de discriminação de frequência.23

O estudo feito com crianças constatou que o treinamento musical, por um período de dois anos, pode resultar em alterações cerebrais específicas e impactar positivamente no desenvolvimento das habilidades auditivas, visto que os resultados mostram uma capacidade aprimorada de detectar alterações no ambiente tonal e maturidade acelerada do processamento auditivo das crianças submetidas ao treinamento musical.25

Quanto aos efeitos da música nos recém‐nascidos expostos a uma conhecida canção de ninar em três diferentes condições (falada metricamente; cantada, com melodia e lida como discurso), pôde‐se constatar que a estrutura rítmica da canção para dormir facilitou o aprendizado dos recém‐nascidos com informações auditivas e, portanto, pode ser benéfico para o desenvolvimento da linguagem. Vale ressaltar que esse efeito não foi encontrado mediante a outra música apresentada.24

Discussão

Os estudos admitidos nesta revisão sistemática convergem no que diz respeito aos efeitos da música ou treinamento musical, infere‐se que esses aprimoram as habilidades do processamento auditivo, além de causar mudanças corticais que, em crianças e recém‐nascidos, favorecem o aprendizado e o desenvolvimento da linguagem, corroboram o constatado em outras publicações.7,12,26,27

A literatura aponta que a prática musical influencia positivamente as habilidades do PAC9,18 e pode ser considerada como uma ferramenta para melhorar essas habilidades, torna‐se um fator de proteção em relação a distúrbios de desenvolvimento, em especial àqueles relacionados ao desenvolvimento de fala e linguagem.9

As amostras dos estudos admitidos nesta revisão sistemática foram compostas por adultos, crianças de 6 a 7 anos e por neonatos, pois não consistia em um critério de exclusão a faixa etária. Outros estudos feitos com o intuito de verificar os efeitos da música, bem como do treinamento musical em populações de adultos17,28–33 e crianças,7,12,26,27,34–36 foram evidenciados na literatura. No geral, os estudos com crianças fazem a exposição a música/treinamento musical no período do estudo, enquanto os estudos com adultos avaliam os efeitos da música que já é presente no dia a dia dos sujeitos, há muitos anos.

A literatura sobre os efeitos da música, bem como do treinamento musical no processamento auditivo de adultos, é ampla, é constatada uma superioridade nas habilidades de ordenação temporal,29 reconhecimento de fala no ruído28 e resolução temporal,31 quando comparado ao desempenho de não músicos, além de os músicos demonstrarem superioridade em subtestes padronizados de memória visual, fonológica e executiva.17 Estudo desenvolvido com 30 cantores populares de bandas comparou o desempenho nas habilidades auditivas de resolução e ordenação temporal entre indivíduos que cantam e tocam instrumento(s) musical(is) (n=15) com o desempenho dos que somente cantam (n=15) e constatou que os cantores populares que tocam instrumentos musicais apresentam melhor desempenho nas referidas habilidades.33

Outra pesquisa, conduzida com 43 adultos entre 18 e 38 anos divididos em três grupos, dos quais um era composto por adultos bilíngues não músicos (n=15), o outro por músicos monolíngues de língua inglesa (n=13) e o grupo controle, por falantes monolíngues de inglês (n=15), evidenciou que o bilinguismo e o treinamento musical têm efeitos diferenciais nas redes cerebrais.30

Ao avaliar a latência e a amplitude do P300, na ausência e na presença de ruído contralateral em músicos (n=30; entre 20 e 53 anos) e não músicos (n=25; entre 18 e 30 anos), pesquisadores encontraram um maior efeito de inibição nos músicos em comparação com os não músicos, evidenciaram que o sistema nervoso auditivo central de músicos apresenta particularidades características devido à prática musical à qual estão constantemente expostos.32 Esse potencial também foi estudado em pesquisa desenvolvida com 32 universitários entre 18 e 24 anos, divididos em músicos e não músicos, cujos músicos deveriam estudar algum instrumento por um longo período (entre 9 e 16 anos), com início da prática ainda na infância (entre 5 e 10 anos). Os músicos demonstraram uma atualização mais rápida da memória de trabalho (P300 de menor latência) nos domínios visual e auditivo e alocaram mais recursos neurais aos estímulos auditivos (maior amplitude P300), demonstraram que o treinamento musical em longo prazo está relacionado a melhorias na memória de trabalho, tanto no domínio auditivo quanto no visual.17

Em consonância com o obtido na população adulta, bem como com os achados do estudo feito com crianças de 6 a 7 anos, inserido nesta pesquisa,25 resultado de outro estudo conduzido com crianças de 5 anos evidenciou que a experiência musical promoveu o aprimoramento de habilidades auditivas e metalinguísticas,12 assim como há evidências de que o treinamento musical influencia positivamente as habilidades de leitura e percepção de fala no ruído, além de provocar respostas neurais mais rápidas.26

Outros resultados revelam efeitos positivos da música na transferência entre domínios cognitivos, na população infantil,34,37 visto que o treinamento musical aumenta a sensibilidade a um parâmetro acústico básico específico, a afinação, que é igualmente importante para a prosódia da música e da fala, aprimora a capacidade das crianças de detectar alterações na afinação não apenas na música, mas também no idioma.37 Ao comparar o desempenho de crianças de 5 anos com e sem prática musical, destaca‐se que a prática musical exerceu influência positiva sobre as habilidades auditivas de ordenação temporal, localização sonora e apreciação musical.9

Há evidência longitudinal de que a percepção da fala no ruído, de crianças, melhora após treinamento musical em grupo por um período de 2 anos.27 Entretanto, pesquisadores constataram que 6 meses de treinamento musical já foram suficientes para melhorar significativamente o comportamento e influenciar o desenvolvimento de processos neurais, em crianças de 8 anos, fortaleceram as teorias sobre a plasticidade cerebral ao mostrar que períodos relativamente curtos de treinamento têm fortes consequências na organização funcional do cérebro das crianças.34

O benefício duradouro do treinamento musical foi evidenciado em estudo conduzido com crianças entre 4 e 6 anos, no qual foi possível constatar também que novas alterações hemisféricas apareceram, um ano após o treinamento.36 Assim, a educação musical tem um papel importante no desenvolvimento infantil, bem como o treinamento em música é capaz de moldar também habilidades imprescindíveis no desenvolvimento social e acadêmico.25

As evidências encontradas no estudo feito com recém‐nascidos inferem que a ocorrência simultânea de pistas prosódicas exageradas e itens a serem aprendidos parece ajudar os neonatos a processar a entrada da linguagem, corrobora o constatado em estudos anteriores.38,39 Para Schon e Tillmann,40 as rimas em músicas infantis são estímulos auditivos naturais para os recém‐nascidos, aprimoram o processamento fonológico. A ausência de indícios de aprendizado nos neonatos mediante uma música apresentada em uma determinada melodia, que não como uma canção de ninar, pode ser em virtude de a melodia não incluir variação suficiente de afinação ou em decorrência da situação desafiadora imposta pelo aprendizado simultâneo da melodia e do conteúdo fonético, e não apenas pelo conteúdo fonético.24

Embora nenhum dos estudos selecionados para esta pesquisa tenha sido feito com a população idosa, há relatos na literatura sobre os benefícios do treinamento musical nas habilidades do processamento auditivo de idosos não protetizados41 e usuários de próteses auditivas.42–44 Estudo desenvolvido com idosos designados aleatoriamente para aprender a tocar piano (música), aprender a jogar um videogame (vídeo) ou a servir como controle (sem contato) constatou que após 6 meses o grupo que aprendeu a tocar piano melhorou sua capacidade de entender palavras apresentadas mediante ruído de fundo, enquanto os outros dois grupos, não. É importante ressaltar que esses achados sugerem que o treinamento musical pode ser usado como base para o desenvolvimento de programas de reabilitação auditiva para idosos.41

Outro efeito importante da música foi constatado em estudo que avaliou as habilidades de processamento auditivo ao longo da vida em músicos (n=74) e não músicos (n=89), entre 18 e 91 anos, e demonstrou que os músicos experimentam menor declínio relacionado à idade em tarefas auditivas como detecção de gaps e compreensão de fala no ruído.45 As diferenças entre músicos e não músicos em relação às medidas comportamentais e eletrofisiológicas aumentam a crescente literatura sobre plasticidade dependente da experiência em músicos.23

Pesquisas indicam que há diferenças estruturais entre cérebros de músicos e não músicos, entre as quais se encontram o maior volume do córtex auditivo, maior concentração de massa cinzenta no córtex motor, maior corpo caloso anterior. Estudos que envolveram neuroplasticidade indicam correlação entre tempo de estudo musical e as diferenças estruturais. Além disso, é possível que haja um período crítico relacionado a essas mudanças, indicaria uma possível correlação entre idade em que se começou a estudar música e as mudanças estruturais cerebrais.46,47

Buscando compreender a correlação entre estudo musical e aumento do corpo caloso, foi desenvolvida uma pesquisa com crianças de 5 a 7 anos, divididas em três grupos, um com prática semanal de instrumento musical de uma a 2 horas, um com prática semanal de 2 a 5 horas e um controle que não teve aulas de música. No início do estudo não havia diferenças entre os volumes dos corpos calosos dos sujeitos. Após 29 semanas de prática havia diferença significativa entre o tamanho do corpo caloso das crianças dos três grupos, foi evidenciado um aumento maior do corpo caloso nas crianças com mais tempo de prática musical.48

Outro estudo semelhante conduzido com 31 crianças divididas em dois grupos, um deles (n=15) submetido a aulas de teclado por 15 meses e o grupo controle, que não recebeu treinamento musical instrumental, somente participou de aulas semanais de música em grupo na escola, constatou diferenças em regiões como giro pré‐central direito (área motora relacionada a movimento de mãos), corpo caloso e giro de Heschl (área auditiva primária),49 achados que indicam uma forte possibilidade da indução da plasticidade cerebral por meio da música.

Alterações cerebrais estruturais após treinamento musical na primeira infância, por um curto período (15 meses), foram correlacionadas com melhorias nas habilidades motoras e auditivas. Essas descobertas lançam luz sobre a plasticidade cerebral e sugerem que diferenças estruturais evidenciadas no cérebro em especialistas adultos provavelmente se devem à plasticidade cerebral induzida pelo treinamento.49 Putkinen et al.,35 ao encontrar um aumento nas amplitudes de MMN e P3a com o aumento da idade em crianças musicalmente treinadas, não sendo estes aumentos evidentes nos estágios iniciais do treinamento, sugeriram que a discriminação auditiva neural superior em músicos adultos se deve ao treinamento, e não a diferenças preexistentes entre músicos e não músicos.

Quanto aos procedimentos usados para avaliar o processamento auditivo nos estudos eleitos para esta pesquisa, constatou‐se que dois deles usaram somente avaliação eletrofisiológica (PRE),21,24 enquanto os outros três empregaram procedimentos comportamentais associados à avaliação eletrofisiológica.22,23,25 Assim, em todos os estudos foram pesquisados os PRE, os quais constituem um instrumento valioso para estudar a atividade neuronal gerada durante o processamento de novas informações.50

Corroborando esses achados, vários estudos que pesquisaram os efeitos da música e do treinamento musical, contidos na literatura, também usaram procedimentos eletrofisiológicos isoladamente, por meio do registro e análise dos potenciais relacionados a eventos,30,32,35,36 bem como outras pesquisas usaram avaliação comportamental associada à eletrofisiológica.17,37,41 Entretanto, foi possível averiguar que muitos estudos foram desenvolvidos com métodos comportamentais apenas,9,12,27–29,31,33 os quais se mostraram eficazes e denotam os efeitos positivos da música sobre as habilidades auditivas dos participantes. Embora os estímulos usados para evocar os PRE tenham sido diferentes, todos foram capazes de evidenciar a superioridade dos músicos nas habilidades auditivas.

O tempo médio de exposição à música nos estudos selecionados para esta revisão sistemática variou bastante e nenhum deles objetivou comparar o desempenho nas habilidades do processamento auditivo de acordo com o tempo de exposição, porém há consonância na literatura que aponta que quanto maior o tempo de exposição, mais evidentes são as melhorias nas habilidades do processamento auditivo.7,17,18 Entretanto, já há evidências que demonstram que períodos relativamente curtos de treinamento musical têm fortes consequências na organização funcional do cérebro, na população infantil, consolidam as teorias sobre a plasticidade cerebral.34

Conclusão

Considerando as evidências científicas, constatou‐se que a experiência musical pode aprimorar habilidades específicas do processamento auditivo central, independentemente da idade, aprimora o desenvolvimento linguístico das crianças. Ademais, indivíduos expostos a experiências musicais são capazes de discriminar sinais acústicos espectralmente complexos, além de experimentar uma melhoria do processamento cognitivo de curto prazo e no reconhecimento de fala no ruído.

Assim, a prática musical tem um papel importante no desenvolvimento das habilidades auditivas, molda também habilidades indispensáveis no desenvolvimento social e acadêmico.

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

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Como citar este artigo: Braz CH, Gonçalves LF, Paiva KM, Haas P, Patatt FS. Implications of musical practice in central auditory processing: a systematic review. Braz J Otorhinolaryngol. 2021;87:217–26.

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