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Vol. 87. Núm. 5.
Páginas 639 (Setembro - Outubro 2021)
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Carta ao editor
Open Access
Abordagem sistemática das opções cirúrgicas da concha nasal inferior
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João Carlos Ribeiroa,b,
Autor para correspondência
jcarlosribeiro@uc.pt

Autor para correspondência.
, Joana Gonçalvesa, José Carneiroa
a Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, Departamento de Otorrinolaringologia, Coimbra, Portugal
b Universidade de Coimbra, Faculdade de Medicina, Coimbra, Portugal
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Prezado Editor,

A Brazilian Journal of Otorhinolaryngology publicou um artigo muito relevante clinicamente escrito por Mehel et al., intitulado “Resultados clínicos iniciais da utilização de radiofrequência e lateralização das conchas nasais inferiores combinadas à septoplastia”.1 Gostaríamos de expressar algumas preocupações sobre as imprecisões científicas do artigo e contribuir para a fundamentação clínica do tema investigado.

Mehel et al. sugerem que tanto a radiofrequência quanto a lateralização apresentam resultados semelhantes em relação ao alívio da obstrução nasal e que o método de intervenção deve ser selecionado a critério do paciente e do(s) cirurgião(s).

Em primeiro lugar, é preciso enfatizar que a cirurgia dos distúrbios das conchas nasais deve sempre suceder um tratamento clínico insatisfatório. Provavelmente foi o que aconteceu, mas isso não foi relatado no artigo e os leitores menos experientes podem ficar confusos.

Após a decisão pela opção cirúrgica, devemos considerar os fatores etiológicos da obstrução nasal. Doenças distintas, do septo nasal, columela e válvula nasal implicarão diferentes alterações da concha com consequentes resultados diferentes. Somado a isso, alguns tipos de desvios septais tenderão a predispor a uma maior ocorrência de sinusite, o que implica desfechos clínicos diversos.2 Esperaríamos que os autores tivessem classificado e comparado esses fatores entre os grupos de radiofrequência e lateralização de modo que esse viés tão grande pudesse ter sido controlado.

Após o controle desses vieses, a técnica escolhida para tratar as conchas inferiores consideraria não apenas as conchas, mas também as características do meato inferior e da parede medial do seio maxilar. Além disso, Mehel et al. não parecem diferenciar a concha óssea inferior da mucosa da concha inferior. Por exemplo, um paciente com o osso do corneto nasal deslocado mais medialmente sem uma hipertrofia significativa da mucosa tem mais probabilidade de obter um benefício maior da lateralização do que da ablação por radiofrequência. Portanto, a comparação da secção do meato nasal inferior e do volume da concha nasal inferior deve ser considerada antes do planejamento cirúrgico. Por outro lado, se a parede medial do seio maxilar estiver mais vertical e/ou houver uma hipertrofia maior da mucosa da concha inferior, a radiofrequência seria o método com melhores resultados.

Por fim, e como os autores oportunamente lembraram, a lateralização da concha inferior é menos onerosa que a radiofrequência. Por que não usar as duas técnicas? Acreditamos que deveria haver um terceiro grupo no estudo, que incluiria pacientes que fariam tanto a radiofrequência quanto a lateralização da concha inferior.

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

Referências
[1]
D.M. Mehel, T. Yemiş, M. Çelebi, E. Can, D. Özdemir, A. Ünal, et al.
Early clinical outcomes of inferior turbinate radiofrequency and lateralization combined with septoplasty.
Braz J Otorhinolaryngol., 87 (2021), pp. 90-93
[2]
J. Teixeira, V. Certal, E.T. Chang, M. Camacho.
Nasal septal deviations: a systematic review of classification systems.
Plast Surg Int., 2016 (2016), pp. 7089123

Como citar este artigo: Ribeiro JC, Gonçalves J, Carneiro J. Systematically addressing nasal inferior turbinate surgical options. Braz J Otorhinolaryngol. 2021;87:639.

Copyright © 2021. Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial
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Brazilian Journal of Otorhinolaryngology

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