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Vol. 86. Núm. S1.
Páginas 64-66 (Dezembro 2020)
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Vol. 86. Núm. S1.
Páginas 64-66 (Dezembro 2020)
Relato de Caso
DOI: 10.1016/j.bjorlp.2017.10.012
Open Access
Esophagus foreign body in the thyroid gland
Corpo estranho de esôfago na glândula tireoide
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Sílvia Miguéis Picado Petrarolhaa,
Autor para correspondência
silvia@picado.com.br

Autor para correspondência.
, Rogério Aparecido Dedivitisb, Fabíola Garcia Perruccioc, Ingrid de Andrade Quirinoc
a Hospital Ana Costa, Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Santos, SP, Brasil
b Universidade de São Paulo (USP), Faculdade de Medicina, Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, São Paulo, SP, Brasil
c Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES), Santos, SP, Brasil
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Introdução

Um corpo estranho (CE) esofágico migratório é incomum e a migração de um CE para a glândula tireoide é muito rara.1,2 Que seja de nosso conhecimento, apenas 22 desses casos foram relatados na literatura em língua inglesa.1,3 Devido à sua estrutura fina, linear e afiada, espinhas de peixe tendem a se alojar e penetrar na mucosa esofágica no espaço da glândula tireoide devido ao movimento de deglutição.2,3 Se a condição não for tratada, complicações graves e potencialmente fatais podem se desenvolver, como periesofagite, abscesso periesofágico, mediastinite, fístula aortoesofágica, fístula esofágica inominada e ruptura carotídea.1,4 Um diagnóstico rápido é essencial para o manejo de um CE perfurante.1

Neste relato de caso, a paciente desenvolveu um abscesso devido a presença de CE no nível da glândula tireoide.

Relato de caso

Uma mulher de 67 anos foi atendida na emergência com queixas de disfagia e dor na região cervical, especialmente do lado esquerdo do pescoço. Os sintomas haviam se iniciado nove dias antes, com progressão dos episódios dolorosos. Ela relatava a ingestão acidental de uma espinha de peixe naquele período, não houve melhoria do quadro com o uso de medicamentos anti‐inflamatórios ou analgésicos. No exame físico, foram observados abaulamento cervical, dispneia leve e ausência de febre; o exame laboratorial mostrava leucocitose. A ultrassonografia cervical mostrava uma imagem linear hiperdensa no interior do lóbulo esquerdo da tireoide, com conteúdo associado a detritos, e uma perfuração no esôfago (fig. 1). A tomografia computadorizada (TC) cervical revelou uma coleção justaposta no lóbulo esquerdo da tireoide com um corpo estranho em seu interior (fig. 2). Uma cervicotomia exploradora foi feita para drenar o abscesso e remover o CE. Fibrose e edema de tecidos moles significativos foram observados. O corpo estranho se encontrava justaposto à traqueia, a 2mm da trajetória usual do nervo laríngeo recorrente ipsilateral (figs. 3 e 4). A paciente permaneceu com um tubo nasoenteral por cinco dias, somente após o qual foi administrada dieta oral. Terapia com antibióticos foi iniciada e mantida por 12 dias. Ela recebeu alta no sétimo dia sem queixas e retornou para o acompanhamento sem sintomas.

Figura 1.

Imagem linear hiperdensa no interior do lóbulo esquerdo da tireoide, com conteúdo associado a detritos.

(0,05MB).
Figura 2.

TC mostra uma coleção justaposta no lóbulo esquerdo da tireoide com um corpo estranho no interior.

(0,06MB).
Figura 3.

Corpo estranho adjacente à traqueia, posicionado a 2mm da trajetória usual do nervo laríngeo recorrente ipsilateral.

(0,07MB).
Figura 4.

Espinha de peixe.

(0,09MB).
Discussão

Quando espinhas de peixe se alojam, isso geralmente ocorre na tonsila palatina, na base da língua, na valécula, no seio piriforme e no esôfago.5,6 A localização de uma espinha de peixe fora da faringe e a subsequente formação de um abscesso na tireoide são situações extremamente raras.2,5 Quanto mais tempo o CE permanecer no esôfago, maior o risco de perfuração e por isso um diagnóstico imediato é essencial.1,2

A radiografia simples do pescoço é frequentemente útil; no entanto, as imagens do CE e da cartilagem da tireoide às vezes se sobrepõem e, portanto, essa técnica não é suficientemente sensível para a identificação consistente da presença de espinhas de peixe.6,7 A TC oferece uma melhor detecção de corpos estranhos finos, pequenos e minimamente calcificados.4 A investigação pré‐operatória também é essencial, pois confirma que um corpo estranho esofágico migrou.4 Alguns estudos foram publicados sobre a utilidade da TC para casos em que há suspeita da presença de uma espinha de peixe presa na região da faringe‐esôfago.1–3 Em nosso caso, identificamos a presença da espinha com a ultrassonografia e confirmamos sua extensão com a TC.

Conclusão

A presença de uma espinha de peixe na glândula tireoide é um caso raro e difícil de diagnosticar, devido à falta de sintomas graves ou característicos.1,5 Entretanto, é muito importante removê‐lo em tempo hábil. A remoção cirúrgica geralmente é feita, mas a tireoidectomia nem sempre é necessária.5

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

Referências
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Asian J Surg, 28 (2005), pp. 136-138

Como citar este artigo: Petrarolha SM, Dedivitis RA, Perruccio FG, Quirino IA. Esophagus foreign body in the thyroid gland. Braz J Otorhinolaryngol. 2020;86:S64–S66.

Estudo conduzido no Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Hospital Ana Costa, Santos, SP, Brasil.

A revisão por pares é da responsabilidade da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico‐Facial.

Copyright © 2017. Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial
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Brazilian Journal of Otorhinolaryngology

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