Compartilhar
Informação da revista
Vol. 85. Núm. 4.
Páginas 397-398 (Julho - Agosto 2019)
Compartilhar
Compartilhar
Baixar PDF
Mais opções do artigo
Vol. 85. Núm. 4.
Páginas 397-398 (Julho - Agosto 2019)
Editorial
DOI: 10.1016/j.bjorlp.2019.05.003
Open Access
Palatopharyngeus muscle: the key in the pharyngoplasty surgeries for obstructive sleep apnea
Músculo palatofaringeo: o foco das faringoplastias no tratamento da apneia do sono
Visitas
98
Luiz Ubirajara Sennesa,b
a Universidade de São Paulo (USP), Faculdade de Medicina, Disciplina de Otorrinolaringologia, São Paulo, SP, Brasil
b Universidade de São Paulo (USP), Programa de Pós‐Graduação em Otorrinolaringologia, São Paulo, SP, Brasil
Este item recebeu
98
Visitas

Under a Creative Commons license
Informação do artigo
Texto Completo
Bibliografia
Baixar PDF
Estatísticas
Texto Completo

A apneia obstrutiva do sono (AOS) é uma doença de alta prevalência, mas ainda pouco elucidada. Sua fisiopatologia é complexa, envolve múltiplos mecanismos anatômicos e funcionais. O CPAP (continuous positive airway pressure) é considerado o melhor tratamento, mas ainda apresenta baixa adesão. Seu uso acima de quatro horas por noite, considerado adequado, parece ser pouco efetivo.

A uvulopalatofaringoplastia (UPPP) com remoção de tecidos redundantes da faringe foi amplamente usada pelos otorrinolaringologistas, mas com resultados pouco consistentes. Mais recentemente as faringoplastias surgiram como uma proposta mais ativa, modificam a estrutura muscular da faringe em busca da sua estabilização.

A faringoplastia lateral (LP) descrita por Cahali em 2003 foi a primeira proposta de reposicionamento dos músculos da parede lateral da faringe no tratamento da AOS.1 Baseados nesse novo conceito, Pang & Woodson (2007) descreveram a faringoplastia expansiva (ESP).2 Em 2013, Sorrenti & Piccin propuseram uma variação mais conservadora da ESP descrita como faringoplastia expansiva funcional (FEP).3 Cahali também aprimorou a LP, que hoje, na versão 6, parece ter atingido sua maturidade.

Embora não exista na literatura estudo randomizado que compare os resultados da LP com a ESP/FEP,4 analisar as técnicas pode sugerir seus efeitos sobre a dinâmica da faringe na manutenção da via aérea durante o sono.

Todas promovem o avanço do palato mole e procuram estabilizar a parede lateral da faringe, o que pode ser observado na nasofaringoscopia. A maior diferença entre as técnicas é no preparo e reposicionamento do músculo palatofaríngeo (PPM).

Na LP a mucosa aderida ao PPM é separada do músculo constritor superior da faringe (SPC) e forma um retalho músculo‐mucoso espesso e resistente com pedículo superior e medial sem conexão inferior e posterior. Após pequena miotomia do SPC no nível do palato mole, o retalho do PPM é deslocado e suturado em uma posição mais superior e anterior para reforçar a parede lateral da faringe no nível do palato mole.

Na ESP/FEP o PPM é separado da mucosa e do SPC e seccionado inferiormente, forma um retalho muscular com pedículo superior e medial. A extremidade livre do PPM é rodada anterossuperolateralmente e suturada na transição do palato duro e mole, por de baixo da mucosa. A parede lateral da faringe é então recoberta pela sutura do retalho mucoso remanescente ao pilar amigdalino anterior.

Em todas as técnicas existe ampliação da orofaringe por remover o PPM que representa o maior volume da parede lateral da faringe. Além disso, eliminam a tração posteroinferior do palato mole pela contração do PPM.

Na LP o retalho garante a cicatrização da parede lateral da faringe junto ao pilar amigdaliano anterior, apesar da cicatrização por segunda intenção da região posteroinferior (incisão de alívio). Associada à miotomia do SPC, a cirurgia cria uma área retropalatal mais ampla e retangular, mais resistente ao colapso.

Na ESP/FEP o PPM ancora anteriormente o palato mole e tensiona a parede lateral. Também amplia a área retropalatal, confere um formato mais retangular. Porém a cicatrização da parede lateral da faringe com o pilar amigdaliano anterior é mais crítica porque fica coberta somente por um retalho mucoso e não musculomucoso, como na LP.

Nesse sentido, a LP prioriza um retalho musculomucoso espesso para reforçar a parede lateral da faringe, enquanto a ESP/FEP prioriza a ancoragem anterior do palato mole e a tração da parede lateral, assume maior risco de deiscência pelo delgado retalho mucoso após separação do PPM.

Para minimizar esse problema, podem‐se associar duas manobras à ESP/FEP: 1) Se o PPM for volumoso (o que muitas vezes ocorre no paciente com AOS), parte do PPM pode ser deixada junto com a mucosa, cria‐se um retalho mais espesso e resistente. 2) Se a sutura no pilar amigdaliano anterior criar muita tensão no retalho mucoso, uma ou duas incisões de alívio podem ser feitas na parede posterior da faringe para facilitar a adesão do retalho mucoso à parede lateral da faringe (similar às incisões de alívio da LP).

A PL e a ESP/FEP apresentaram resultados mais consistentes do que a UPPP e tiveram grande aceitação entre os cirurgiões. A questão que fica é o que ocorre com o PPM após seu reposicionamento. Esse músculo passaria a ter uma ação dilatadora da faringe?

Para a obtenção dessa resposta precisaríamos saber se o PPM reposicionado conserva sua função. O primeiro aspecto é se sua irrigação pelo pequeno pedículo mantém sua estrutura muscular ou se o transforma tecido fibroso e cicatricial. Mesmo nessa condição, o retalho do PPM traria beneficio, atuaria como um reforço na LP e como ancoragem na ESP/FEP.

O segundo aspecto é se sua inervação motora fica preservada pelo pedículo, mantém sua ação contrátil. Se isso ocorrer, sua contração na LP enrijeceria a parede lateral da faringe no nível do palato mole, auxiliaria a sustentação da faringe contra o colapso. Na ESP/FEP sua contração tracionaria anterossuperiormente o palato mole e tensionaria a parede lateral da faringe, também favoreceria a abertura e sustentação da faringe. Nesse sentido, a função constritora do PPM se transformaria em uma ação dilatadora da faringe durante a inspiração.

Ainda não temos estudos nesse sentido. Porém, a progressiva melhoria dos resultados cirúrgicos e do aspecto da região retropalatal, ao se comparar o período do pós‐operatório precoce e tardio, pode sugerir que após um trauma inicial o PPM recupera sua função muscular, atua como mais um dilatador da faringe.

Conflitos de interesse

O autor declara não haver conflitos de interesse.

Referências
[1]
M.B. Cahali.
Lateral pharyngoplasty: a new treatment for obstructive sleep apnea hypopnea syndrome.
Laryngoscope, 113 (2003), pp. 1961-1968
[2]
G. Sorrenti, O. Piccin.
Functional expansion pharyngoplasty in the treatment of obstructive sleep apnea.
Laryngoscope, 123 (2013), pp. 2905-2908
[3]
K.P. Pang, B. Tucker Woodson.
Expansion sphincter pharyngoplasty: a new technique for the treatment of obstructive sleep apnea.
Otolaryngol Head Neck Surg, 137 (2007), pp. 110-114
[4]
M. Carrasco-Llatas, M. Marcano-Acuña, V. Zerpa-Zerpa, J. Dalmau-Galofre.
Surgical results of different palate techniques to treat oropharyngeal collapse.
Eur Arch Otorhinolaryngol, 272 (2015), pp. 2535-2540

Como citar este artigo: Sennes LU. Palatopharyngeus muscle: the key in the pharyngoplasty surgeries for obstructive sleep apnea. Braz J Otorhinolaryngol. 2019;85:397–8.

Copyright © 2019. Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial
Idiomas
Brazilian Journal of Otorhinolaryngology

Receba a nossa Newsletter

Opções de artigo
Ferramentas
en pt
Cookies policy Política de cookies
To improve our services and products, we use "cookies" (own or third parties authorized) to show advertising related to client preferences through the analyses of navigation customer behavior. Continuing navigation will be considered as acceptance of this use. You can change the settings or obtain more information by clicking here. Utilizamos cookies próprios e de terceiros para melhorar nossos serviços e mostrar publicidade relacionada às suas preferências, analisando seus hábitos de navegação. Se continuar a navegar, consideramos que aceita o seu uso. Você pode alterar a configuração ou obter mais informações aqui.